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O Comitê Nacional Democrata, que representa um dos partidos que fazem parte da corrida presidencial nos EUA, emitiu um alerta para que o uso do FaceApp seja interrompido. O aviso vale tanto para candidatos quanto para outros envolvidos na campanha para as eleições que acontecem no ano que vem e está relacionado, principalmente, s origens russas da aplicação que é capaz de envelhecer, aplicar sorrisos ou mudar o gênero dos usuários a partir de algoritmos de inteligência artificial.

Na visão de Bob Lord, diretor de segurança do comitê, a preocupação se deve ao acesso do aplicativo a imagens na galeria e eventual rastreamento de outros arquivos nos celulares dos usuários. Para ele, os riscos de segurança envolvidos na utilização do app ainda não são claros e outros especialistas já emitiram alertas desse tipo, portanto o ideal é que candidatos e funcionários da campanha não usem o FaceApp, ou deletem o software imediatamente caso já o tenham feito.

Essa é uma constatação desafiada pela própria direção do FaceApp, que, na mesma medida em que viu a popularidade da aplicação voltar a crescer nesta semana, também se viu diante de diferentes questionamentos desse tipo. Em comunicado oficial, o FaceApp disse não ter qualquer relação com o governo russo e que apenas parte de seu time de desenvolvimento está localizado no país, enquanto a infraestrutura de cloud computing usada para a manipulação das imagens pertence Google.


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A empresa disse, ainda, que todas as informações dos usuários são deletadas 48 horas após a coleta e que, por mais que alguma telemetria seja usada para fins de publicidade ou melhoria dos algoritmos, segundo seus termos de uso, os dados não são compartilhados ou vendidos a terceiros, sejam eles companhias parceiras ou governos. Além disso, os responsáveis lembram que o uso do FaceApp não exige cadastro e que todas as informações são obtidas de forma anônima.

O fato de o Comitê Nacional Democrata já ser gato escaldado quando se fala em brechas de privacidade ajudam a entender a preocupação dos especialistas com qualquer coisa que venha da Rússia. Em 2016, na eleição que levou Donald Trump presidência dos EUA, a caminhada da rival Hillary Clinton foi duramente afetada pelo vazamento de milhares de e-mails e arquivos pertencentes a John Podesta, seu chefe de campanha, obtidos a partir de uma conta no Gmail que ele usava em seu cotidiano de trabalho.

Por mais que o Kremlin sempre tenha negado envolvimento, a noção geral é de que hackers russos ligados ao governo auxiliaram na divulgação dos materiais, que também teria contado com a participação de Julian Assange, do WikiLeaks. Relatórios de investigação posteriores indicaram que o próprio Trump não teve participação no esquema, mas sua campanha acabou beneficiada pelos vazamentos.

Visão dos especialistas

Para Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky, não há nada de malicioso no FaceApp em si, uma vez que ele trabalha apenas com o envio de imagens aos servidores e a devolução das fotos alteradas. Entretanto, a coleta de dados de navegação dos usuários é um fator digno de atenção e que consta nos termos de uso da plataforma.

O acordo fala, inclusive, no compartilhamento de tais dados, de forma anônima, para fins de publicidade, e o maior problema está exatamente aí. É na falta de controle sobre sistemas de proteção alheios que reside o maior risco de que as informações caiam em mãos erradas. O risco, ainda, é de mau uso de tais dados, principalmente por estarmos falando de informações biométricas que também acompanham localização e outros detalhes sobre o smartphone usado para o acesso.

Leia a matéria no Canaltech.

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