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Promotores do condado de Yavapai, no Arizona (EUA), decidiram nesta terça-feira (5) que a Uber não tem responsabilidade criminal sobre o acidente com um carro autônomo que matou uma mulher na cidade de Tempe. A motorista de segurança Rafaela Vasquez, por outro lado, ainda está sendo investigada e pode acabar indiciada pelo atropelamento.

O caso aconteceu em março do ano passado, quando um carro autônomo da Uber atropelou e matou Elaine Herzberg, de 49 anos. Em um relatório preliminar, o procurador geral de Yavapai disse que não existem bases para responsabilização criminal da Uber no caso, concordando com um relatório policial publicado pouco após o acidente que indicava a impossibilidade de se evitar a colisão com a ciclista. Mais tarde, as autoridades voltaram atrás dessa decisão, mas descartaram a possibilidade de problemas no software da empresa de transportes.

Agora, as autoridades querem saber se Vasquez, que atuava como motorista humana a bordo do veículo autônomo e deveria assumir o volante em caso de incidentes, poderia ter agido de forma a evitar a colisão. A investigação deseja saber, principalmente, se ela estava distraída no momento do acidente e se poderia ter feito algo para impedi-lo, mesmo que estivesse completamente atenta.

Além disso, há indícios de negligência por parte da própria vítima, que teria invadido a pista em uma bicicleta a partir de uma área pouco iluminada, fora da faixa de pedestres que estava a 90 metros de distância. Apesar disso, informações de telemetria também indicam que o carro trafegava a 61 quilômetros por hora, um pouco acima do limite máximo da via, que era de 56 km/h, e que o sistema de direção autônoma optou por não desviar devido presença de outros veículos e transeuntes no local.

A investigação sobre a motorista deve ser realizada no condado de Maricopa, onde o atropelamento aconteceu. A promotoria quer analisar com mais calma os depoimentos das testemunhas e as imagens externas e internas do veículo no momento do acidente, o primeiro com morte registrado durante testes de veículos autônomos.

Vasquez enfrenta agora uma possível acusação por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Relatórios divulgados pelas autoridades, bem como vídeos do momento do acidente, mostram que ela estava olhando para baixo, voltando sua atenção via apenas momentos antes da colisão, quando já não era mais possível ter qualquer reação. De acordo com a polícia, ela estaria assistindo a um seriado no celular, contra as normas de segurança de testes desse tipo e as recomendações da própria Uber.

A empresa não se pronunciou sobre o assunto. Na ocasião do acidente, a Uber chegou a perder licenças relacionadas aos testes com carros que se dirigem sozinhos em diversas cidades e estados americanos, ao mesmo tempo em que as autoridades aumentaram o escrutínio sobre essa tecnologia de maneira geral, em consequências que afetaram toda a indústria. Os experimentos da empresa foram reiniciados apenas em dezembro de 2018, em menos lugares, com restrições maiores e trechos menores para rodar.

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