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Em uma notícia que poderia muito bem estar nos letreiros iniciais de um filme de ficção científica, o governo dos Estados Unidos anunciou nesta semana a criação de um novo comando militar para proteger sua presença no espaço. A Força Espacial, como foi chamada, pode começar a operar em 2020 e serviria para proteger a soberania do país fora da Terra.

O anúncio foi feito pelo vice-presidente americano, Mike Pence, que citou Rússia e China como alguns dos principais adversários da nova divisão militar. Segundo ele, o espaço era pacífico e incontestado até então, mas recentemente houve “perturbações†e “desafios†que levaram os EUA a perceberem que apenas ter uma presença fora da Terra não seria suficiente – é preciso ter o domínio e, acima de tudo, uma equipe dedicada a trabalhar pela defesa das operações do país.

A proposta, que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso antes de virar realidade, foi assinada pelo Departamento de Defesa. Em um documento submetido análise dos representantes do povo, estão elencadas uma série de medidas necessárias para o desenvolvimento da Força Espacial, com ações que precisariam ser tomadas desde já para que o comando começasse a trabalhar nos próximos anos.

Entre as necessidades dessa nova organização estão, por exemplo, a criação de uma agência de desenvolvimento e exploração espacial voltada especificamente para fins militares, bem como a seleção e treinamento de tropas de operações espaciais com o mesmo fim. Os soldados seriam selecionados a partir de esquadrões já existentes, mas trabalhariam sob normas, doutrinas e regras específicas para a guerra nas estrelas.

Essa ideia garantiu a adesão do secretário de defesa dos EUA, Jim Mattis, que anteriormente foi contrário criação da Força Espacial por conta dos altos custos envolvidos. Após um acordo com a Casa Branca, entretanto, ele afirmou estar de acordo, uma vez que muitas das pesquisas, pessoal e infraestrutura já em uso pelas Forças Armadas poderão ser aproveitadas pelo novo comando.

A ideia é que a nova divisão tenha poder, relevância e investimentos iguais aos de outros setores, como a Aeronáutica, o Exército e a Marinha, mas também com inovações e métodos compartilhados, de forma a fomentar o desenvolvimento de todos os ramos das Forças Armadas. Um secretário de defesa assistente também seria designado para cuidar especificamente das operações espaciais.

O próprio Trump demonstrou apoio ideia por meio do Twitter, como sempre, mas alguns congressistas afirmam veementemente que as Forças Espaciais não virarão realidade. De acordo com o senador Brian Schatz, do Hawaii, os aliados do líder “tiveram medo†de dizer a ele que a ideia jamais sairia do papel e considerou perigosa a noção de um presidente que adere tão rapidamente a “ideias malucas†desse tipo.

Além disso, analistas militares questionaram ao jornal The Guardian a própria criação de uma força separada, uma vez que as ameaças espaciais podem ser abordadas pela Força Aérea, que deveria receber mais investimentos e apoio para lidar com missões fora da Terra. Ainda assim, o sentimento no Congresso é favorável proposta, que ainda não tem data para ser votada.

A aprovação é necessária de acordo com a Constituição americana, que exige esse tipo de processo para a criação de um novo comando militar. A Força Espacial seria a primeira divisão a ser criada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos desde 1947, quando a Força Aérea foi separada do Exército e se tornou uma divisão única, após o fim da Segunda Guerra Mundial.

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