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A baixa nas vendas do iPhone em todo o mundo e as tensões comerciais entre Estados Unidos e China levaram a uma queda de 4,5% no faturamento da Apple no quarto trimestre de 2018. O resultado, que já era esperado por analistas e também pela própria companhia, marca a primeira divulgação de números negativos dos últimos dez anos para um último trimestre do ano, normalmente movimentado devido chegada de novos modelos de smartphones e s vendas de Natal.

Não foi desta vez, entretanto, e uma mistura de descontentamento com preços e novidades da atual geração do iPhone, juntamente com a concorrência de outros fabricantes e as dificuldades de se trabalhar com a China, onde estão a esmagadora maioria dos fornecedores da Apple, levaram os números para baixo. Em seu relatório financeiro, a companhia apresentou um faturamento total de US$ 84,3 bilhões, um total que ficou ligeiramente acima da expectativa do mercado, que era de US$ 83,9 bilhões.

Os lucros, por outro lado, só não caíram mais devido a uma mudança na carga tributária aplicada pelo presidente americano Donald Trump. Com a mudança nas alíquotas de 26% ao ano para 16,5%, a Apple registrou ganhos de US$ 19,97 bilhões, uma pequena queda em relação aos resultados do ano passado.

Isso, entretanto, tem mais a ver com o sucesso de outros segmentos do que com as vendas do iPhone. Os números oriundos do smartphone caíram 15%, mas, em compensação, a receita de serviços aumentou 19% e chegou a um recorde histórico, assim como a venda de Macs, itens para casa, acessórios e vestíveis, com aumentos de até 33%. Foi um bom trimestre, também, para o iPad, que teve alta de 17% nas vendas.

Chega a ser curioso notar que, há um ano, quando anunciava seus resultados relativos ao último trimestre de 2017, a Apple comemorava um recorde histórico geral e nem precisava falar esmiuçadamente de seus segmentos de atuação, com aumento de 13% no faturamento total e um total de US$ 88,3 bilhões obtidos. Na ocasião, 65% das vendas de produtos da empresa haviam acontecido fora dos Estados Unidos e a fabricante parecia estar passando longe da ainda suposta estagnação do mercado mobile.

Avance um ano no tempo e a situação se torna bem diferente, apesar de os acionistas ainda não terem muitos motivos para ficarem temerosos. Como dito, a queda no faturamento e lucros já era de se esperar e a empresa fez movimentos para lidar com a queda na demanda e as tensões comerciais, resultando em ganhos de US$ 4,1 por ação para os investidores, um número dentro das expectativas do mercado.

Ainda assim, é hora de ter cuidado, já que os marcos da vez são negativos. Além de passar por sua primeira queda no faturamento para um último trimestre na última década, a Apple também se viu forçada a, neste começo de ano, rever sua expectativa de vendas e ganhos pela primeira vez nos últimos 15 anos. E a expectativa para o futuro é de ainda mais cautela.

Para o atual trimestre, que termina em março, a previsão é de um faturamento que varia entre US$ 55 bilhões e US$ 59 bilhões, abaixo do resultado usual, que chega perto dos US$ 60 bilhões e já é esperado pelo mercado. Além disso, analistas aguardam para o período atual o menor volume de iPhones vendidos na história da marca, uma ideia da qual, claro, a Apple se manteve bem longe na divulgação de seus resultados.

Para o CEO Tim Cook, os resultados dentro do esperado pelo mercado e os números negativos que não assustam mostram a força da empresa em si e do trabalho de contenção que está sendo realizado. Ele deixou de lado uma possível canseira do mercado com o iPhone afirmando que a satisfação dos consumidores com os produtos da Apple nunca foi tão alta, assim como a lealdade deles, como comprovou o recorde no setor de serviços. Os usuários permanecem utilizando o smartphone e não migraram para a concorrência, mesmo que não tenham adquirido um novo neste ano.

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