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Listar as melhores comédias românticas do cinema é tão pretensioso quanto compor qualquer lista individual. Resumir s melhores disponíveis em uma provedora de streaming (como o é a Netflix) ajuda, mas ainda assim é uma ambição que nunca vai ter um final 100% feliz. E há um motivo especialmente influente quando se tentar elencar filmes dessa forma: a identificação. Quando se trata de romances, tudo ganha outras proporções e isso se torna muito mais pessoal e, s vezes, intransferível.

Pensando nisso, a ideia das minhas listas de cinema geralmente é indicar. Sem a menor pretensão de criar uma lista exata, definitiva ou qualquer coisa do tipo, os filmes citados e brevemente resenhados mais abaixo servem como indicações para quem não os assistiu ou para quem gostaria de reassisti-los. Para mim, é óbvio que, dentro do catálogo da Netflix, podem ser encontrados outros tão bons quanto, mas, como dito, isso vai depender de questões subjetivas como a identificação.

Sem mais demora e dentro dessa abordagem sem verdades absolutas, vamos lista dos 10 melhores filmes de comédia romântica disponíveis na Netflix:


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5. O Casamento de Ali (Ali's Wedding)

Incensado na Austrália, premiado em festivais, pela crítica e muito bem-visto pelo público local, O Casamento de Ali é um filme tão leve quanto efetivo ao tratar o amor justamente como algo muito particular e pessoal. O roteiro, de quebra, passeia por questões ligadas cultura australiana de um modo tão corajoso e verdadeiro que torna o filme muito mais contundente para além das suas quase duas horas de duração. Tendo as tradições muçulmanas como pano de fundo, é uma comédia que atinge bem a vida real, especialmente as questões de intolerância religiosa. Aqui, a identificação, para boa parte do público, pode ser instantânea.

4. Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid, Love)

Outro multipremiado, Amor a Toda Prova é um filme fundamental dentro do gênero (ou subgênero) por um motivo bem particular: O roteiro de Dan Fogelman (da animação Enrolados) está muito mais preocupado com seus personagens do que com a própria história em si. Essa atenção dada a cada um do quarteto principal (estelar, formado por Julianne Moore, Steve Carell, Emma Stone e Ryan Gosling) permite que o espectador possa testar sentimentos reais e faz tudo ir muito além da função de comédia. Alguns dos sentimentos que surgem, inclusive, podem surpreender e ecoar por algum tempo após os créditos finais.

3. Questão de Tempo (About Time)

Tudo aqui é tão divertido e, ao mesmo tempo, verdadeiro que o sentimentalismo quase no limite do desfecho parece natural após tanta tensão (sim) e humor afiado. Na verdade, Questão de Tempo poderia se encaixar em um subgênero do subgênero (sem qualquer ideia pejorativa): seria uma tragicomédia romântica. E é interessante perceber o quanto a direção e especialmente o roteiro de Richard Curtis faz do filme uma crítica necessária ao machismo na personagem de Domhnall Gleeson (o Tim), resultando em um filme onde a justaposição de felicidade e dor, doce e amargo, é chave de um resultado passível de muitos debates.

2. 10 Coisas que Eu Odeio em Você (10 Things I Hate About You)

Talvez, esse seja o filme com o coração mais no lugar certo da lista. O envolvimento com os personagens se dá de forma tão gradativa e natural que não é difícil se imaginar tendo algum tipo de amizade com Patrick e Katarina (Heath Ledger e Julia Stiles respectivamente). A trilha sonora (especialmente a utilização das canções) de Richard Gibbs é inventiva a ponto de soar tão espontânea quanto a dupla protagonista. Por mais que seja possível, em algum momento, perceber que Patrick e Katarina estão sendo manipulados pela história (e isso tenha alguma força para derrubar o encanto), 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um filme praticamente indispensável para quem gosta de uma comédia romântica (adolescente ou não).

1. Sing Street: Música e Sonho (Sing Street)

Provavelmente um dos menos conhecidos da lista, Sing Street: Música e Sonho é uma pequena obra-prima dirigida por John Carney (do já ótimo Mesmo Se Nada Der Certo, 2013). A partir de uma premissa aparentemente genérica, que diz sobre um rapaz que foge de uma conturbada vida familiar ao se tornar integrante de uma banda para impressionar uma moça misteriosa, o filme – escrito também por Carney –, constrói conexões tanto dentro do seu próprio desenrolar quanto entre os personagens que parecem refletir em um nível subcutâneo: não arrepia somente, mas faz vibrar. E é tudo tão íntimo, com barreiras sinceras, triunfos satisfatórios e frustrações quase palpáveis que tudo pode ir além da identificação. É a vida em metáforas. São alegorias simples, mas passíveis de interpretações intensas… resta somente estar disponível e aberto para elas.

Menções honrosas

Doris, Redescobrindo o Amor (Hello, My Name Is Doris)

A falta de direcionamento proposital em um roteiro, que cede um grau de espontaneidade especialmente crível é, talvez, o maior mérito do texto de Laura Terruso (de Fits and Starts) e Michael Showalter (de O Encalhado). Dirigido pela própria Terruso, Doris, Redescobrindo o Amor estuda não somente a personagem título (interpretada por Sally Field), mas uma situação que preconceituosamente é raramente exposta na vida real: o amor de uma mulher mais velha por alguém jovem. O horror social, aqui, é tratado com uma leveza linda de se apreciar e, simultaneamente, dolorosa para se refletir. E tudo se mostra ainda mais forte a partir da atuação tão comovente de Field.

Alguém tem que Ceder (Something's Gotta Give)

Indicado ao Oscar de Melhor Atriz – para Diane Keaton – o filme escrito e dirigido por Nancy Meyers (do excelente O Amor Não Tira Férias, 2006) é bem rimado com o anterior (Doris, Redescobrindo o Amor) na questão do amor entre pessoas com idades tão distantes. Além de Keaton, o Alguém tem que Ceder conta também com Jack Nicholson, Keanu Reeves, Frances McDormand, Amanda Peet e Jon Favreau. Mas a verdade é que Keaton e Nicholson trazem tanta experiência e são de um humor tão natural que suas personagens funcionam de uma forma quase que inesperada pelo roteiro. Não que o texto de Meyers seja ruim – longe disso –, mas a impressão é que o filme ganha muito mais camadas a partir de uma dupla com tanta química e tanta cumplicidade.

Bônus Adam Sandler: Como Se Fosse a Primeira Vez (50 First Dates)

Para muitos, um filme bobo ou até chato mesmo. Mas vejo uma ligação muito próxima com uma das melhores comédias românticas já realizadas: Feitiço de Tempo (de Harold Ramis, 1993). É verdade que não existe em Como se Fosse a Primeira Vez a profundidade do filme de Ramis – estrelado pelo impagável Bill Murray e Andie MacDowell –, mas há um quê de inocência e de romantismo que difere da maioria dos filmes que traziam Sandler como protagonista época – com exceção do excepcional Embriagado de Amor (de Paul Thomas Anderson, 2002). Tanto que, na sequência, o ator emendaria Espanglês (de James L. Brooks, 2004), outro bom filme dessa sua leva romântica.

Como se Fosse a Primeira Vez revela um olhar mais intimamente passional de Sandler. Existem outras verdades por trás de cada interação sua com a personagem de Drew Barrymore (a Lucy) que, além de terem força para tornar o filme interessante, fazem com que tudo possa ser agradável e positivamente inofensivo.

É isso. Poderiam ser muitos… caberiam alguns títulos a mais, de repente, substituindo os que citei. Na prática, é impossível listar cinco ou 10 filmes de maneira unânime. Como dito na introdução, comédias – especialmente as românticas – batem de uma maneira muito pessoal na gente. Resta a subjetividade de cada um para compor a própria lista.

Agora, ficam aí os comentários para que vocês complementem e enriqueçam tudo. Vamos fazendo uma corrente de indicações! Nada melhor do que compartilhar.

Bons e ruins filmes para nós!

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