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Pense na última vez em que você foi a um show, exposição ou encontrou um amigo. Com certeza você mantém um registro (ou vários) desse e de outros momentos em seu smartphone, não é mesmo? E quantas vezes você revisita fotos em seus álbuns virtuais para lembrar de alguma situação específica ou simplesmente para matar as saudades?

Ter sempre à mão um dispositivo com câmera digital deixou mais acessível o hábito de catalogar memórias em fotografias, e para muita gente tirar centenas de fotos e postar cada detalhe nas redes sociais tornou-se obrigatório. Mas já parou para pensar em como isso afeta as nossas memórias do passado e a maneira como nos enxergamos?

Apesar de estudos sobre o tema ainda serem escassos, é fato que usamos novas tecnologias como um apoio para quando a memória falha. Mas nossa obsessão por fotografar cada detalhe se tornou tão grande que muitas vezes deixamos de viver o momento nos distraindo no processo e, consequentemente, comprometendo nossa experiência e nossas lembranças futuras.

“A memória precisa ser exercida regularmente para funcionar bem. Existem muitos estudos que documentam a importância da prática de recuperação da memória — por exemplo, em estudantes universitários. A memória é e continuará sendo essencial para o aprendizado. Há, de fato, algumas evidências mostrando que comprometer quase todo o conhecimento e as memórias na nuvem pode impedir a capacidade de lembrar”, afirma Guiliana Mazzoni, professora de Psicologia da Universidade de Hull e especialista no assunto.

Outro problema de recorrermos mais às fotos do que às nossas memórias verdadeiras é a possibilidade de criar uma identidade distorcida, afinal, nossa bagagem ajuda a construir o que somos. Mas se falta espontaneidade em grande parte da documentação fotográfica atual como nas selfies, com caras, bocas, uso excessivo de filtros e correções, isso pode afetar a forma como nos enxergamos como indivíduos.

Apesar da nossa memória não ser tão precisa, acessível ou até mesmo agradável quanto uma fotografia guardada na nuvem, exercitá-la ao máximo é essencial para mantê-la ativa e adaptável às mudanças, tornando nossa identidade mais real. Nossa vida não é linear e muito menos as lembranças que temos dela, e por mais desconfortável que possa ser lembrar de certas situações, como um corte de cabelo de gosto duvidoso, são exatamente esses momentos que ajudaram a moldar o que somos atualmente.

“É interessante pensar em como a tecnologia muda a maneira como nos comportamos e funcionamos. Enquanto estivermos cientes dos riscos, provavelmente poderemos amenizar os efeitos prejudiciais. A possibilidade que realmente causa calafrios em minha espinha é a de perdermos todas aquelas fotos preciosas por causa do mau funcionamento de nossos smartphones”, comenta Guiliana Mazzoni, que ainda deixa um conselho: “então, da próxima vez que você estiver em um museu, reserve um momento para ver e experimentar tudo. Apenas no caso dessas fotos desaparecerem.”

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